Caro Camarada A. Marques Lopes
É sempre para mim um enorme prazer, contactar com camaradas que estiveram na Guiné. É um país que deixou marcas em todos nós. Por variadíssimas razões; por ali termos passado grande parte da nossa juventude, nos bons e maus momentos que a gente nunca pode esquecer (pelo menos eu por aquilo que me toca), por nos terem mentalizado que a Guiné era nossa (que hoje à distância de 40 anos, até dá vontade de rir). Apesar de tudo isto, não estou arrependido por ter andado por lá. E digo mesmo que gostava de lá voltar, apesar daquele País estar uma desgraça completa (a avaliar pelas notícias que se vão lendo e das reportagens que vão passando).
Vamos ao assunto principal do nosso contacto.
1. Nunca estive em Barro, embora tivesse andado por ali perto em operações.
2. Quem esteve em Barro, foi o 1º. Pelotão da minha companhia, a 1590, comandado pelo alferes Manuel Barão e os furriéis; Alexandre Silva, Gil Vasconcelos e Oscar Batel. Em relação ao Alferes sei que é prof. e vive no Fundão. Relativamente ao Alexandre Silva sei que é advogado e vive em Lisboa. Anualmente, fazemos o nosso Almoço convívio e tenho convivido com estes dois, mas em relação ao Gil nunca mais o vi e ao Batel estive uma vez com ele no almoço em Fátima.
3. Este pelotão saiu de Ingoré para Barro no dia 8/12/66 e regressou a Ingoré no dia 25/2/67.
4. É isto que tenho nos meus apontamentos. Se vier a ter outros que digam respeito à Ccaç3 de Barro, fica descansado que te os fornecerei. Durante o nosso próximo convívio, que deve ser agora em Maio, em Vila Real, vou falar com o Barão sobre Barro, e daquilo que vier a saber, informar-te-ei.
Um abraço do Luís de Matos